Asstyle entrevista: Kadu Abecassis

By Asstyle

Kadu AbecassisKadu Abecassis, 27 anos, passou por seis meses de aulas de violão em conservatório na cidade de Santos antes de conhecer o blues aos 12 anos, quando comprou uma guitarra. Com ela vieram as primeiras bandas e pouco depois já buscou experiências com outros instrumentos. Esse interesse múltiplo também o levou a se formar técnico de som pelo IAV, e posteriormente trabalhar em estúdios de publicidade em São Paulo. Está na banda Pete Hassle and Something Blue desde 2003, na qual é responsável por grande parte dos arranjos. A banda teve seu primeiro disco gravado em 2006 e excursionou pela Inglaterra entre abril e maio de 2007. Foi em outubro do mesmo ano que Mallu Magalhães apareceu no estúdio Lúcia no Céu, e Kadu aceitou o convite de Jorge Moreira para co-produzir os fonogramas. Atualmente, além de cumprir a agenda de shows e gravações com Mallu Magalhães, e da produção de fonogramas publicitários e vinhetas para canais de TV, auxiliou Jorge Moreira na produção do disco “Lado A”, de Claudio Nasci.

Asstyle: Kadu, a quanto tempo você toca?

Kadu: Toco violão há 16 anos. Guitarra mesmo devem ser uns 14, então.

Asstyle: É bastante tempo para alguem tão jovem, deve ter participado de diversas bandas, comente um pouco a respeito.

Kadu: Lembro que tive a primeira banda antes da primeira guitarra… …Passei de fato por muitas bandas. A primeira banda “importante” que participei foi o Screaming Noise, como baixista, ainda em Santos. A vocalista e compositora tem um talento incrivel. Isso foi de 97 a 99. Mais ou menos nessa época teve o Feeling Trade, onde eu era baterista e compositor (risos). Depois veio o Red11, onde eu era baixista e compositor. Em 2002 vim pra São Paulo e estou até hoje na única banda da qual participei aqui, o Pete Hassle and Something Blue, que, basicamente, é a mesma banda que acompanha a Mallu Magalhães.

Asstyle: Verdade mesmo, você toca com esta pequena promessa Mallu Magalhães, como foi esse encontro? Trabalhar com uma garota de 15 anos da trabalho?

Kadu: Tem marmanjo que dá muito mais trabalho… O baterista do PSSB, Jorge Moreira, tem um estúdio, o Lúcia no Céu, e eu sou o “segundo” – auxilio ele nas gravações mais complexas e faço as que não cabem em sua agenda. A Mallu apareceu pra gravar, provavelmente às 15h, e às 17h o Jorge me ligou: “Corre pra cá, tem uma menina fazendo um puta som aqui e você tem que gravar o baixo!”. Eu não podia, então ele gravou. Dias depois, apareci por lá por outros motivos. Ele tocou a gravação e antes de ele acabar de perguntar o que eu tinha achado eu estava pedindo para ele microfonar o piano. Fui na sessão seguinte para conhecê-la e acabei coproduzindo todo o material disponivel no myspace dela, além de tocar vários instrumentos em todas as faixas.

Asstyle: Uma grande sorte de ambas as partes eu diria, tive a oportunidade de ouvir o Pete Hassle and Something Blue e além de ser um Blues de primeira, suas guitarras são indispensáveis, falando no album, quando nós teremos a oportunidade de ter o cd da Mallu Magalhães?

Kadu: Foi tudo muito mágico mesmo. Me considero ateu, cético, materialista e coisa e tal, e minha “fé” ou “des-fé” foi abalada por toda essa atmosfera de encontros e coincidencias felizes. O pé pra forma, como dizem… Sobre o disco da Mallu, estamos entrando em estúdio no Rio de Janeiro no dia 14 de julho.

Asstyle: Mas por quê o Rio de Janeiro, vocês todos não estão aqui em São Paulo?

Kadu: Dizem que os melhores estúdios ficam no Rio. Quando voltarmos eu conto se é verdade…

Asstyle: Já tem alguma idéia a respeito da sonoridade do album?

Kadu: O album contará com um produtor de renome internacional, e uma variedade grande de equipamentos vintage. Fora isso, Thiago Consorti, baixista do PSSB e da Mallu, tem muito mais técnica que eu e o Jorge (fomos nós que gravamos o instrumento pro myspace), tal qual o Rodrigo Alencar é um excelente pianista enquanto eu apenas sei montar acordes básicos nas teclas.

Asstyle: Você disse que a banda que toca com Mallu Magalhães é a mesma que toca com Pete. Como vocêsPete Hassle and Something Blue conseguem conciliar os dois projetos?

Kadu: Atualmente o Pete anda com saudade da gente (risos). Estamos totalmente concentrados no disco da Mallu, fazendo ensaios diários com metrônomo e tal… Mas até então nunca tivemos problema, assim como tudo vai voltar ao normal quando voltarmos do Rio.

Asstyle: Algum show marcado para antes das gravações?

Kadu: Sesc Santos próximo sábado (05/07). Não toco na “minha terra” há 10 anos… E Circo Voador (RJ) dia 12, também sábado, sendo que na segunda seguinte já entramos em estúdio.

Asstyle: Pesquisando algumas coisas da Mallu no YouTube verifiquei que uma canção composta por você chamada “Girassóis” foi cantada por ela em um show no Studio SP. Essa canção deve entrar no cd, ou vai virar um daqueles B-Sides raros?

Kadu: Na verdade essa música entrou no set list do segundo show da Mallu para nunca mais sair. Nesse primeiro disco ela não entra, e eu sempre concordei com isso – o disco é dela e seu acervo conta com mais de 50 músicas, se não me engano. Mas nada impede de, de repente, ela ser lançada em alguma mídia virtual ou um próximo album.

Asstyle: Com esse grande sucesso você já se imagina como o “Cansei de ser sexy” ou “Bonde do Rolê”, tocando no Coachella e em outros festivais do mesmo porte?

Kadu: Imagino grandes shows desde de que ganhei o meu primeiro violão, em termos de sonho. Não sei o que o futuro reserva… Acho que ainda é cedo pra sabermos.

Asstyle: Quais foram as bandas que te influênciaram na forma como toca?

Kadu: Primeiro de tudo os Beatles – pedi um violão de aniversário aos meus pais depois de ouvir um disco que achei na escadaria do prédio onde moravamos. Depois veio o Blues, um vinil só com artistas obscuros. E também Led Zeppelin, Jimi Hendrix e the Who. Acho que esses artistas/bandas são o que mais pesaram em minha formação.

Asstyle: A Mallu Magalhães em suas entrevistas diz gostar muito de Bob Dylan, Johnny Cash e Elvis. Até que ponto você acha que isso influência em suas canções? Até mesmo por que suas letras falam sobre coisas pra lá de inocentes, o que de certa forma a difere do modo malicioso com que os 3 faziam.

Kadu: Melódica e harmonicamente a influência é total e clara. Quanto às letras, elas condizem com a condição dela: menina, menor de idade… Acho que elas vão ficar mais maliciosas naturalmente com o tempo, mas é puro “achismo” da minha parte.

Asstyle: E esse seu “achismo”, pode nos dar uma previsão a respeito de quantos discos esse sucesso ira durar?

Kadu: É complicada esse lance da duração de um sucesso. Talentos curtos costumam ter sucesso curto porque a fonte seca rápido, mas talentos grandes podem ter sucesso curto em consequência de fatores empresariais/midiáticos.

Asstyle: Muito obrigado pela entrevista e espero que volte depois das gravações para nos contar tudo a respeito, é muito bom ver que por trás de uma pequena gênia existem profissionais do seu porte, valeu mesmo.

Kadu: Obrigado! Parabéns à Asstyle.

por Júlio Abbud

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